O que faz uma vida feliz? | Baby&Me

O que faz uma vida feliz?

Publicado: 14/12/2017


Depois de ter meus dois filhos, Pedro (3 anos e meio) e Lucas (1 ano), eu comecei a pensar cada vez mais sobre essa pergunta. Afinal de contas, isso é o que todos os pais querem para seus filhos: uma vida feliz. Em um dos mais longos estudos conduzidos até hoje, pesquisadores de Harvard seguiram as vidas de mais de 700 homens durante 75 anos para tentar responder a essa pergunta. O principal achado: relacionamentos profundos e duradouros são o que trazem felicidade. Você pode estar pensando agora: “E como isso impacta meu papel como pai ou mãe?”

Simples – relacionamentos começam em casa e se expandem pela escola, trabalho e comunidade. É em casa que as crianças aprendem as bases do que é um bom relacionamento.


Dada a importância disso pra felicidade dos nossos filhos, meu marido e eu passamos a questionar nosso papel como educadores. Enquanto algumas coisas são ensinadas formalmente, sabemos que nos primeiros anos, muitas coisas são copiadas pelos nossos filhos, principalmente como agir em relacionamentos. Estávamos fazendo nossa parte? Estávamos sendo bons modelos para nossos filhos se inspirarem?


Essas perguntas foram o estopim de uma grande mudança em nossas vidas. Nós pedimos demissão de nossos empregos e nos planejamos pra ficar 2 anos sem receita. Por isso, nós nos mudamos de São Paulo, onde o custo de vida era extremamente alto, pra uma pequena cidade de 60 mil habitantes, Registro. Voltar pra casa dos meus pais e morar na cidade onde cresci era uma coisa que não passava pela minha cabeça. No entanto, se queríamos aprender sobre relacionamentos, esse era o contexto ideal!


Nós mergulhamos a fundo na experiência de ser pai, mãe e educadores para nossos filhos e, mais importante, pra nós mesmos. Começamos a rever nossas crenças e o que nos fazia agir do jeito que agíamos principalmente quando estávamos sob o efeito de emoções negativas.


Enquanto eu sei que nem todo mundo pode se dar ao luxo de pausar a carreira pra aprender a ser pai e mãe, sei que todos nós temos o desejo de evoluir nessa função. Então aqui vão alguns conselhos práticos que eu acho úteis quando penso em como estamos construindo relacionamento mais saudáveis aqui em casa com nossos filhos.


1) Tente mentalizar que filhos são a melhor ferramenta para evoluirmos como seres humanos. Toda evolução é desconfortável e até mesmo dolorosa às vezes. Por isso, tente enxergar os momentos mais difíceis como uma prova de que você está saindo da sua zona de conforto e entrando numa zona de aprendizado. Mudar hábitos é muito difícil e requer muita energia, mas ao mudarmos hábitos nós mudamos também os valores que transmitimos a nossos filhos. E isso é importante e vale todo o esforço!

2) Tente aceitar que não estamos no controle de muita coisa na nossa vida. Por isso, não tente controlar todo e qualquer aspecto da vida de seus filhos. Deixar com que as crianças exerçam sua autonomia é um processo saudável de educação para os dois lados – pais e filhos. Esse ponto é especialmente difícil pra mim, que tenho mania de controle, mas aos poucos tenho deixado meus filhos decidirem o que querem fazer, quais atividades interessam mais, como querem passar o dia, qual roupa vestir etc. É muito interessante ver como suas pequenas personalidades se manifestam e como são únicos nos seus jeitos de agir e pensar.

3) Passar tempo com as crianças é fundamental. Aposto que você já leu sobre isso. No entanto, agora que minha vida está quase que 100% dedicada ao meu mestrado, a conclusão que cheguei é que é melhor ter pouco tempo de qualidade do que mais tempo sem o foco necessário. Quando estou com os meninos tento estar 100% presente, sem celular, e-mail, etc. Tento participar do mundo deles e entrar na brincadeira. Pra mim é difícil porque sou uma pessoa muito focada no resultado mas tem sido uma experiência incrível. Ultimamente meu filho já verbaliza: “Mamãe, mas você vai estar muito ocupada?”. Quando eu não consigo manter o meu bom humor e presença e eu tenho opção, eu me dou o direito de ir dormir.

Lembre-se que todos estão lutando suas próprias batalhas com o único objetivo de ser felizes (e não te tirar do sério). Quando parecer que seu filho quer te irritar, tente ver os motivos por traz de suas ações. Pode ser só ciúmes ou cansaço.

4) Por último, relaxe. Todos estamos em constante evolução e longe de sermos pais perfeitos. Um deslize ou outro sempre vai acontecer. Aqui em casa, nós usamos essas situações onde um de nós perde a cabeça como aprendizado coletivo. Falamos abertamente dos nossos sentimentos ruins e traçamos planos sobre como vamos nos ajudar mutuamente a evitar essas situações. Outro dia meu filho veio com essa: “mamãe, você tá ficando nervosa. Acho melhor você respirar”.

Acredito que ainda vou colher muitos bons frutos dessa experiência com meu marido e as crianças e do mestrado. Espero poder ter a oportunidade de compartilhar mais com vocês. Até a próxima!


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